A família Gracie forjou vários campeões desde o primeiro dia de vida, mas o homenageado de hoje não é um simples campeão, é um campeão que rompeu várias gerações. Lutou os campeonatos quando ainda tinham nomes das marcas que patrocinavam e se manteve no topo até conseguir lutar e ganhar 4x o mundial da era moderna do jiu-jítsu, o mundial da IBJJF. E foi muito além disso, ganhou brasileiro, panamericano e foi 3x campeão do ADCC, o maior torneio de luta agarrada do mundo. Ainda aceitou lutar no vale-tudo uma luta que NUNCA aconteceria nos dias de hoje. Ele pode não ser o maior Gracie de todos os tempos, mas com certeza é o melhor competidor da família Gracie de todos os tempos e é considerado ATÉ HOJE o melhor peso pena de todos os tempos do jiu-jítsu desportivo.
Sou Daniel Abreu, faixa marrom de
jiu-jítsu e o canal Dieta de Guerra irá homenagear, ROYLER GRACIE.
Fala camaradas tranquilo? No artigo de hoje vamos mergulhar na trajetória de um dos maiores Gracie’s de todos os tempos, se fossemos ranquear, facilmente, Royler Gracie aparece dentro do TOP 10 dos integrantes mais importantes da família.
INÍCIO DA TRAJETÓRIA
Nascido no Rio de Janeiro em 6 de
dezembro de 1965, Royler, começou no jiu-jítsu antes mesmo de poder entender o
real significado da arte marcial para a sua família. Com apenas 3 anos de idade
já era ensinado de forma lúdica pelo seu pai Hélio Gracie, mas à medida que foi
crescendo, com 8 anos de idade, passou a ter aulas em Copacabana com seu irmão
Rolls Gracie, que fez parte de sua formação até ter sua vida abreviada em junho
de 1982. Após a morte de Rolls, Royler passou a treinar com seu irmão Rickson
com a supervisão de seu pai Hélio Gracie.
COMPETIÇÕES NA DÉCADA DE 80
A CBJJ e IBJJF só foram criadas na década de 90, antes disso, as competições de jiu-jítsu ou era organizada pela FJJRio ou pela LINJJI e não tinham nomes como, “estadual”, “brasileiro”, “mundial”, tinham nomes das marcas que patrocinavam os eventos, como “CANTÃO”, “COMPANY” etc. Desde essa época, Royler, enfileirou títulos e enfrentou adversários duríssimos como Peixotinho, Cássio Cardoso e Ricardo de La Riva. Sem contar o início do vale-tudo, tendo enfrentado Eugênio Tadeu em uma luta de mais de 40 minutos.
O AUGE NA DÉCADA DE 90
Com a mudança de Rickson para os
EUA, Royler ficou com a tarefa de substituí-lo na academia Gracie Humaitá,
trabalho que assumiu com maestria formando um poderoso time de competição, na
qual ele também competia. Este time tinha nomes como, Saulo e Xande Ribeiro,
Fredson Alves, Omar Salum, Paulo Coelho entre outros.
Com a criação da CBJJ e da IBJJ,
Royler disputou e conquistou diversos títulos das confederações, incluído 4
mundiais no peso pena em sequência, com destaque para o de 1997, quando Royler
disputou com 31 anos, idade de Master, e lutou a final contra Vitor Ribeiro, o
“Shaolin”, que tinha 18 anos na época. Para vocês terem uma ideia de como
Royler atravessou gerações, na década de 1980 ele lutou contra alguns faixas
pretas do Carlson Gracie e, o “Shaolin” é faixa preta de André Pederneiras, que
é faixa preta do Carlson, ou seja, ele lutou contra uma terceira linhagem se
formos considerar assim.
O ano de 1999 foi especial na
carreira de lutador de Royler Gracie, nesse mesmo ano, venceu o Pan e o Mundial
da IBJJF e venceu o ADCC, o maior torneio de luta agarrada do mundo. E em
novembro de 1999, aceitou o maior desafio da sua carreira, lutou o evento PRIDE
8, contra a estrela em ascensão Kazushi Sakuraba. Luta esta que JAMAIS
aconteceria nos dias de hoje! Sakuraba pesou 20kg a mais que Royler, se
fôssemos comparar em diferença de peso seria como colocar José Aldo para lutar
contra o Jon Jones. O contrato da luta previa 2 rounds de 15 minutos por 1
minuto de descanso e só valia vitória por finalização ou nocaute. Faltando 1
minuto para terminar a luta, Sakuraba encaixou uma chave de Kimura e o arbitro
interrompeu a luta declarando Sakuraba como vencedor. Royler sempre que se
recorda desta luta reclama que não bateu e que o juiz interrompeu a luta porque
estava perto de acabar. A derrota para Sakuraba enriquece ainda mais história
de Royler como lutador, pois aceitar um desafio como este nos faz relembrar a
era de ouro do vale-tudo quando seu pai Hélio e seu primo Carlson Gracie
lutavam contra qualquer oponente.
ANOS 2000 E EUA
Royler ainda venceu 2x o ADCC,
nos anos de 2000 e 2001, fez algumas lutas de MMA e ainda topou um desafio de
luta agarrada contra Eddie Bravo no Metamoris em 2014, luta esta que terminou
empatada.
Se mudou em definitivo para a Califórnia em 2010 e é o diretor internacional da academia Gracie Humaitá. Seu trabalho hoje em dia é circular entre todas as academias, dando palestras, aulas e seminários.
CONCLUSÃO
Royler Gracie não é qualquer
Gracie, é hoje, tanto fisicamente quanto no estilo o mais parecido com o pai,
olhar para ele é como se estivéssemos vendo o GM Hélio Gracie. Como lutador, é
redundante dizer como ele atravessou o tempo. Lutou competições professionais
da IBJJF na categoria adulto com idade de Master 1, foi campeão do ADCC em 2001
com 35 anos, contra um oponente 10 anos mais jovem. Como não ser fã de um
esportista como esse? Sem contar a pessoa ímpar que é, sempre solicito e sábio
nos seus ensinamentos. Poucos conseguem construir uma história como essa.
Vida longa e máximo respeito a
Royler Gracie!
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